
Chega de pessoas, preciso de um tempo meu só meu. Cansei de falsas preocupações, sorrisos distantes e beijos que não posso sentir – quero abraço apertado, de surpresa, sem pressa, de bobeira. Por hoje digo não. Nada pra quem me dá pouco. Quero mais eu. Quero meu calor, meus pensamentos, minhas palavras sendo jogadas ao vento só por prazer. Umas boas músicas, um cobertor quentinho e um tempo. Tempo só meu. Nada de pensamentos que chateiam, de lembranças do que não possuo mais. Um chá, por favor. Nenhuma companhia agora, não precisam se esforçar para puxar um assunto qualquer. Não preciso que socializem comigo por coisa qualquer ou por prevenção de um ‘vai que… ’. Preciso de gente de verdade que não precise que eu seja algo ou faça alguma coisa. Ah, e não me venham com comodismo, não quero tradição. Sai, sai, sai daqui àquele que não se preocupa em buscar um sorriso meu dia após dia – sai gente que só se lembra de mim nos últimos minutos do dia. Perto de mim só quero química daquelas que o universo nos intriga com tanta sincronia e olhares significantes de um – agora não mais – desconhecido. Quem sabe chegou o momento de renovar a agenda. É, acho que é isso. Sem certezas por enquanto, hora de redescobrir.
Isabela L. Barbosa




Ainda são pessoas, eram e trazem consequências que nem sempre podem suportar. Tomam atitudes que nem sempre são as que necessitam, dizem o que acham ser o sincero sem reconhecer tal intensidade e ainda assim querem provar o improvável. Querem ser algo que não lutam por se tornar e invejam os que conseguem alcançar. Pode ser falta de maturidade, malícia, ou pode ser apenas consequências, em longo prazo, de erros não corrigidos – o deixar a vida acontecer da forma mais confortável, desnecessariamente sem arriscar o melhor. Pode ser tanta coisa, podia até ser pior. Poderia deixar me levar por todo esse seu mau e não sobreviver ou não me reconhecer mais, poderia não ser o eu que sempre tive prazer em me tornar. Hoje, queria sorrir e ignorar… Não consigo.
Só me resta um vazio. Não material. Um dia vazio, um sorriso vazio, um coração ressentido, pensamentos e sonhos desprovidos de esperanças. Deixei a vida seguir – facilmente, apenas observando seu fluxo - e nessa caminhada pouco foi fundado. Acreditei que as raízes bastavam, fossem suficientes eternamente. Um erro. Desacreditei nas mudanças de fluxos, nas reviravoltas dessa existência. Acreditei que eu seria a exceção. Ingenuidade minha. A vida, sempre colocando em prova minhas hipóteses baseadas em desejos e promessas, me fez apenas fixar uma nova idealidade: no fim do dia estarei em minha cama sozinha sonhando e idealizando o impossível, e a cada acordar será mais difícil sobreviver, mas não terei outra opção a não ser afrontar.
Queria alguém ao meu lado dizendo que tudo está bem, que não há com o que se preocupar, pois estamos trilhando o caminho certo. Não queria um beijo, queria um abraço quente, mãos entrelaçadas e um sussurro próximo ao ouvido. Não quero somente um corpo próximo ao meu, quero uma alma que converse com a minha em uma simples troca de olhares no escuro, corações batendo dessincronizados, mas num ritmo sossegado constante e infinito. Que não seja tudo, que seja o suficiente de nós dois, de nós três e quanto mais o nosso amor produzir. Não quero um momento único, quero uma vida cheia de retalhos de lembranças e sonhos planejando o futuro, um presente no qual o único vazio que tenhamos seja a ausência do verbo arrepender.




2011. Decepções e conquistas, lágrimas e sorrisos, descobertas e perdas, desenvolver de novos princípios e novas metas, objetivos alcançados e novos almejados. Tempo de mudança.